Entrevista Completa do DJ DOM a Revista RAP NORDESTE

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RRN: Dom como e quando você começou no Hip-Hop?

DJ Dom: Bom eu iniciei no Hip-Hop em meado de 1995, inicialmente como b-boy e após isso eu comecei a me articular com outros membros da comunidade, então tem mais de 15 anos que eu “tô” dentro do movimento me articulando seja como mc, trabalhando mais como DJ, mais também como mc e sempre articulando o movimento como um movimento de transformação nas comunidades.

RRN: Quem você poderia citar como sua grande influência no movimento?

DJ Dom: Eu não posso dizer que tive um, né? Eu tive vários influenciadores desde o AfriKa Bambaataa que criou o movimento ao Tupac e ai a gente trazendo Sabotage, o Thaide, o Racionais como um propulsor de uma linguagem periférica de uma ideia urbana, trazendo pra cá pro Nordeste o Preto Góes do Clã Nordestino que morreu num acidente de carro creio eu que no ano de 2005, o Lelo Melodia o qual criamos uma organização denominada a Posse em homenagem a ele e outros que nos inspiram a ser um movimento forte de embate político de construção do camarada como um sujeito direito.

RRN: Na sua opinião qual a influencia da política no movimento? 

DJ Dom: Olha ela tem um fator predominante negativo por um lado e um positivo de um outro, ela tem duas faces, que é quando nós da comunidade estamos organizados pra pautar nossas necessidades então ela é nossa aliada ta ligado mano? Agora quando ela nos faz de massa de manobra ai nós passamos a ser vitimas desse sistema, mas nós vemos que a política é uma forma de chegar nas ações, pra isso que o movimento existe pra apaziguar, fazer esse link das ações governamentais chegar ao nosso publico, a rapaziada, um publico que ta na senzala atual que é o sistema carcerário.

RRN: Na sua opinião qual a maior dificuldade do movimento em combater o sistema nos dias de hoje?

DJ Dom: Olha primeiro eu acho que é criar uma unidade, eu acho que o Nordeste é exemplo, eu sou de Natal e tô hoje aqui na Paraíba com os parceiros aqui, com o Mr. Soh, com a rapaziada da associação aqui, o hip-hop tem passado por um enfraquecimento, mais já tem ações que vem sendo feitas voltadas pra fortalecer, até porque todo movimento a cada geração tem que dar uma reorganizada e é nesse momento que nós estamos, o movimento tem muitos anos, já é a terceira geração do Hip-Hop, 30 anos, então nós temos o trabalho de reajusta-lo, nós estamos numa geração nova então tem que fazer esse ajustes pra quem ta chegando.

RRN: Quais as melhorias que você espera ver no futuro do movimento? 

DJ Dom: O que eu acredito é que nós possamos cada vez mais ter ferramentas, ferramentas que eu digo pra despertar os talentos natos urbanos, ser reconhecido a nossa literatura como uma literatura marginal, a poética como uma poética marginal, acesso aos instrumentos como pick-us, mixer os instrumentos do DJ, programas e não passar isso como uma ação paliativa, mais como uma ação emergencial de reflexo de fortalecer o Hip-Hop como instrumento de possibilidades.

RRN: Qual a sua visão sobre a relação sistema e periferia? 

DJ Dom: Olha o sistema é bem claro, ele tem pautado que nós tivemos um bom geográfico, uma juventude grande macro e o sistema quer a mão de obra dessa juventude, querem inserir a periferia, mas não sabem como e a gente tentando a todo momento dizer ao sistema que não vai ser reduzindo a maioridade penal que vai resolver o problema de violência na sociedade, não vai ser pagando o “camarada” e instruindo com esse sistema educacional engessado pra ele se inspirar a entrar no mercado de trabalho e ter uma vida produtiva, então a gente trás isso, essa reflexão e a gente vê que esse é o nosso impasse, é dizer a gente é contra a redução da maioridade penal, a gente é contra as pessoas morrendo nas filas de hospitais, dizer é uma violência institucional quando a policia chega abordando de arma na mão, então toda nossa história é pautada em ir contra essa sociedade que esta com arma apontada pra gente.

Revista: Tem alguma coisa que não foi perguntado e que você acha que deva ser dito? 

DJ Dom: Só dizer que o movimento Hip-Hop é um movimento que não é uma moda como muitos pensam, ele é uma manifestação, ele transcende gerações, ele é uma filosofia de vida, um estilo de vida que encarna, ele é parte, ele é alma, ele germina dentro do lixo social se é que eu posso dizer assim, que da onde ninguém acha que nasce nada nós nascemos, porque era pra ser todos nós possíveis marginais então o Hip-Hop da essas possibilidades e a gente vem dizendo pros moleques meu irmão, pense na sua vida, busque educação, qualificação pra sobreviver nesse mundão se não der no Hip-Hop vai dar do outro lado, então é isso que tem que ser dito.

RRN: O que você gostaria de dizer para os seus fãs?

DJ Dom: Bom meu trabalho de DJ ta na internet, no Youtube se procurar vai achar DJ Dom e Silveira Hits um parceiro que trampa comigo, a gente ta misturando vários ritmos, tem no Facebook pode ir me sacar lá, o trabalho da Posse fica no Guararapes já tem vários anos de correria lá e é isso ai.

”Essa entrevista integra a 1º Edição do Revista Rap Nordeste, que pode ser lida por completa no link:”

http://revistarapnordeste.files.wordpress.com/2013/07/revista-rap-nordeste-nc2b01.pdf

 

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